A manifestação de alguns sintomas, num determinado período do ano, caracteriza as chamadas alergias sazonais. Este termo é, muitas vezes, usado como sinónimo de alergia a pólenes, também denominada polinose, ou, mais vulgarmente, febre dos fenos. Quanto aos alergénios como os ácaros do pó, são responsáveis por alergias perenes, ou seja, que ocorrem durante todo o ano.
Apesar de haver pólenes no ar atmosférico durante todo o ano, é na Primavera que as concentrações são mais elevadas. Mas, quer nesta estação como no Verão, surgem outros agentes que causam reacções alérgicas. Algumas são muito graves, podendo ser fatais, mas a frequência é diminuta. Serve de exemplo a alergia a veneno de insectos.
«Quando ocorre uma reacção grave à picada de abelha ou vespa, é uma situação de emergência médica, tendo estes doentes indicação para terem consigo um kit para auto-administração de adrenalina», menciona a Dr.ª Ângela Gaspar, Imunoalergologista, ressalvando: «A manifestação mais frequente à picada de insectos, como mosquitos e melgas, é uma reacção limitada à pele, correspondendo a lesões vesiculares muito pruriginosas (comichão) denominadas estrófulo.»
É ainda no decorrer da época estival, em que as elevadas temperaturas e as mudanças de ambiente e hábitos, muitas vezes dependentes do período de férias, condicionam o aparecimento de urticárias físicas, como a urticária solar. Estes doentes devem usar filtros solares de alta protecção e tomar anti-histamínicos.
Porquê na Primavera?
A alergia a pólenes é a forma mais frequente de alergia sazonal. Mas, por que razão ocorre tipicamente na Primavera?
A Dr.ª Ângela Gaspar responde que «em Portugal, assim como em outros países da Europa mediterrânica, a principal causa de alergia a pólenes são as gramíneas (fenos). Estas são muito frequentes e polinizam em plena Primavera, atingindo o seu pico máximo habitualmente durante os meses de Maio e Junho».
As reacções à erva parietária (alfavaca de cobra) também são frequentes no nosso País. O período de polinização costuma ser mais alargado, ocorrendo sintomas durante toda a Primavera e início do Verão.
No que diz respeito aos pólenes de árvores, a oliveira é a principal causa de alergia entre as árvores, em Portugal, sendo o seu período de polinização na Primavera.
«As concentrações dos pólenes existentes no ar dependem da época de polinização, que é específica para cada planta, coincidindo para a maioria das plantas com a Primavera, pois dá-se uma subida da temperatura», sublinha a mesma imunoalergologista, acrescentando: «De ano para ano, podem existir variações, na época polínica principal, em relação à altura do ano em que ocorre o pico de maior intensidade, e em relação às concentrações observadas.»
«A explicação», remata, «reside na influência de variáveis meteorológicas: a ocorrência de chuva (previamente à época polínica) condiciona fortes concentrações de pólenes quando a precipitação se interrompe, com os dias quentes e ventosos de Primavera; pelo contrário, um ano seco, condiciona uma vaga polínica menos intensa, em particular das plantas mais sensíveis à falta de água, como as gramíneas».
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