domingo, 9 de janeiro de 2011

Síndrome de Turner afecta duas mil mulheres em Portugal

Conclusões do primeiro estudo em Portugal revelam este número

2006-03-01
Duas mil mulheres em Portugal são afectadas pelo síndrome de Turner (ST), revela um estudo ontem apresentado pela  Serono Portugal. De acordo com a equipa de investigação existe, no nosso país, uma evolução clínica mais favorável do que a prevista, já que a maioria das mulheres afectadas demonstram uma mediana capacidade de escolarização e adequada realização social, profissional e familiar. Embora seja um resultado positivo, este primeiro estudo clínico e psicológico feito sobre a patologia que afecta cerca de 2000 mulheres em Portugal mostra também que existe a falta de conhecimento da população em geral sobre a doença, o que provoca um sentimento de isolamento nas doentes. A criação de uma Associação que apoie doentes e família e o diagnóstico precoce das anomalias são também outras necessidades apontadas como fundamentais por todas as pacientes envolvidas nesta investigação.
O estudo realizou-se com uma amostra de 25 doentes de diferentes regiões e grupos etários, apoiados pelo Serviço de Genética Médica do Hospital Universitário de Santa Maria. Os resultados mostram que, apesar das anomalias associadas, como o défice auditivo com repercussões na aprendizagem e a hipofunção ovárica que leva à infertilidade, as doentes com ST conseguem levar uma vida normal e lidar com situações problemáticas da vida como a população em geral.
O trabalho intitula-se Síndrome de Turner revisitado - novos aspectos Clínicos, Citogenéticos e Psicológicos e é assinado por  A.Sousa, M.Ávila, A. Leonardo, A. Medeira, I.Cordeiro, MC Santos, M.Nicolau, J. Gonçalves, J Nunes, HG Santos.

 O Síndrome de Turner é uma mal formação cromossómica que atinge aproximadamente 1 em cada 2500 recém nascidos. Relacionada com a presença de um cromossoma X anómalo ou ausente, só afecta mulheres. As meninas com este Síndrome são identificadas no nascimento ou antes da puberdade devido às características distintivas: baixa estatura, disgenésia gonadal, pescoço pregueado, tórax largo com mamilos amplamente espaçados e uma frequência elevada de anomalias renais e cardiovasculares.


"Em média nascem cerca de 20 bebés por ano com ST e em Portugal existem cerca de 2000 doentes. O que faz do ST uma doença rara e que não sejam desenvolvidos muitos recursos",  afirma a Professora Heloísa dos Santos, Médica no Serviço de Genética Médica do Hospital de Santa Maria e coordenadora do estudo. "Apesar de já ter sido descoberta no início do século passado, existem muito poucos estudos feitos e muitas pessoas desconhecem a patologia, o que faz com que as mulheres afectadas se sintam excluídas da sociedade", acrescenta.


Enquanto doença genética, o ST não tem cura, mas algumas das suas anomalias podem ser minimizadas. A baixa estatura pode ser atenuada através da administração de hormonas de crescimento, e a infertilidade com a terapia com estrogénios e recorrendo a modernas técnicas de reprodução.


A Serono é uma empresa de Biotecnologia que aposta na investigação genética como a chave para compreender patologias que afectam milhões de pessoas. Trabalha com um forte compromisso para a melhoria da qualidade de vida dos doentes através do desenvolvimento de fármacos inovadores, aliança e acordos de colaboração com parceiros em investigação e inovação nos sistemas de administração. As áreas de actuação da Serono são: Dermatologia, Endocrinologia e Metabolismo, Esclerose Múltipla e Medicina da Reprodução.
 
in Ciência Hoje

sábado, 8 de janeiro de 2011

Síndrome de Turner

Síndrome de Klinefelter

 

 

A «Pedra da Roseta» do genoma

Geneticistas fazem novos avanços e completam base de dados mundial

2010-12-28
Dados 
ajudam na compreensão do funcionamento do DNA
Dados ajudam na compreensão do funcionamento do DNA
Recentes análises aos genomas de um verme e de uma mosca permitiram acumular novos dados que irão facilitar a compreensão do funcionamento do DNA. Quatro artigos publicados simultaneamente nas revistas «Science» e «Nature», sobre estudos que envolveram centenas de investigadores do consórcio modENCODE, desvendam informações incalculáveis sobre as duas espécies – o C. elegans (verme) e a D. melanogaster (mosca). Pela primeira vez, os geneticistas do mundo todo dispõem agora de uma espécie de "Pedra da Roseta" do genoma.
O material genético destes dois modelos animais já tinha sido sequenciado em 1998 e 2004, respectivamente, mas o funcionamento dos organismos permanecia desconhecido. Agora, com a utilização de tecnologia de ponta já foi possível identificar uma série de mecanismos.

O código genético é difícil de decifrar. Aliás, até o ano 2000 pensava-se que o DNA era apenas constituído por genes que codificavam a síntese de uma molécula e, tendo em conta este critério, apenas 1,5 por cento do Ácido DesoxirriboNucleico teria utilidade. Contudo, os investigadores foram percebendo que havia uma parte que desempenhava um papel chave – a “matéria negra do genoma”, cinco por cento de DNA humano.

A geometria da cadeia de DNA, chamada de cromatina e onde se enrolam proteínas no núcleo das células, tem igualmente um papel importante na expressão dos genes. Aqui, o objectivo do modENCODE era conseguir explicar a função dos dois elementos: matéria negra e cromatina.

Agora, resta à equipa internacional reutilizar estas informações para decifrar o genoma humano, que é dez vezes mais longo e complexo. O objectivo ultimo será predizer a forma, o desenvolvimento, o tamanho e o funcionamento completo de um organismo tendo como base única o seu DNA – os cientistas ainda não sabem se será possível um dia, mas num futuro próximo já conseguirão “determinar que genes podem ser activados, em que condições e com que efeitos”, olhando apenas para o código genético.

in Ciência Hoje

Mutações Cromossómicas


       As mutações cromossómicas são modificações que ocorrem nos cromossomas e que podem afectar o cariótipo dos indivíduos, qualitativa ou quantitativamente, isto é, podem alterar a estrutura de um ou mais cromossomas – alterações cromossómicas estruturais – ou o número de cromossomas – alterações cromossómicas numéricas.
      Ao contrário das mutações génicas, que são reconhecidas através da sua manifestação no fenótipo, as mutações cromossómicas são, em geral, detectadas pela observação do cariótipo do indivíduo afectado.


Mutações cromossómicas estruturais

      Estas mutações envolvem alterações no número ou no arranjo dos genes, mas mantem-se o número de cromossomas.

      É sobretudo a ruptura da estrutura linear dos cromossomas durante o croosing-over, seguida de uma reparação deficiente, que é responsável pelo aparecimento de sequências anormais de genes.
       Estas mutações podem ocorrer pela perda de porções do cromossoma (delecção), a sua duplicação (duplicação), troca de posições de segmentos (inversão) e a troca de segmentos entre cromossomas de pares diferentes (translocação).
 
 

Mutações cromossómicas numéricas

      São anomalias em que há alteração do número de cromossomas. Estas mutações podem ocorrer em diferentes etapas da meiose:
- durante a divisão I, pela não separação de cromossomas homólogos;
- durante a divisão II, pela não separação de cromatídios de cada cromossoma.
 
 
 
Nesta imagem, nomeadamente na figura do lado esquerdo, observa-se um erro na divisão I, pelo que não ocorreu separação dos cromossomas homólogos. Consequentemente, duas das células-filhas irão ter, cada uma, 3 cromossomas (trissomia); e as outras duas irão ter, cada uma, 1 cromossoma (monossomia).
Na figura do lado direito observa-se um erro que ocorreu na divisão II, pois não ocorreu a separação de cromatídios do cromossoma. Assim, duas células-filhas irão ter um número normal de cromossomas; e uma das outras duas células-filhas irá ter um cromossoma a mais (trissomia) e a outra irá ter apenas 1 cromossoma (monossomia).
 
 
As mutações podem ser induzidas por agentes exteriores, como raio-X. Normalmente, estas mutações são prejudiciais para o portador ou para os descendentes. Todavia, algumas mutações podem ser benéficas e melhorar a capacidade de sobrevivência dos indivíduos das novas gerações.
Por outro lado, as mutações são uma fonte importante de variabilidade genética, que permite a diversidade de organismos e a evolução das espécies.

Mutações Génicas


As mutações génicas são alterações que afectam a estrutura dos genes, ou seja, afectam a sequência de bases que codifica uma determinada proteína. Sendo assim, uma pequena alteração na sequência dos pares de bases que constituem a molécula de DNA para originar uma proteína diferente da que seria inicialmente codificada pelo gene ao nível do qual ocorreu a mutação.
 
Existem três tipos de alterações: de substituição, de inserção e de deleção.
 
Substituição: Quando se altera uma base azotada, trocando por outra na cadeia de ADN, o RNAm não vai ter o mesmo codão, o que faz com que seja codificado um aminoácido diferente e consequentemente seja também formada uma nova proteína e ao mesmo tempo originada uma mutação.
 
Inserção: Quando se adiciona uma base azotada na cadeia de ADN, e em como todos os outros tipos de mutação, ao adicionar-se uma base, vai se alterar a sequência de RNAm alterando os aminoácidos que por sua vez alteram a proteína.
 
Deleção: Quando se apaga uma base azotada na cadeia de ADN, logo por consequente a sequência de bases do RNAm não vai ser a mesma, alterando também os aminoácidos e por sua vez a proteína formada.
 
 
Estas alterações podem levar a que haja alterações ao nível das proteínas  produzidas. Quando a função desempenhada por essas proteínas é fundamental para o organismo, a versão mutada pode estar na origem de doenças. Por vezes, ocorrem mutações que não provocam alterações nas proteínas, pois, devido à redundância do código genético, o codão mutado pode codificar o mesmo aminoácido – mutações silenciosas.
 
 
Como se pode observar pela figura, o codogene GAA mudou para GAG, ocorrendo assim uma substituição do terceiro nucleótido. Embora tenha ocorrido uma mutação, a proteína produzida foi a mesma.
 
 
A ocorrência de mutações génicas é responsável por doenças como a anemia falciforme que é uma alteração do material genético que conduz à formação de uma hemoglobina anormal - hemoglobina S. Esta alteração ocorre através da substituição.
 
 
Como se pode verificar pela imagem, uma base azotada de timina é substituída por uma base azotada de adenina o que vai fazer com a mensagem do RNAm seja diferente, consequentemente forma-se uma proteína diferente. E assim origina-se uma hemoglobina anormal.
 
 
Agentes mutagénicos
As mutações podem ocorrer espontaneamente ou serem induzidas por agentes mutagénicos. Substancias química, tais como, por exemplo: cafeína; álcool; inseticidas e fungicidas, presentes em vegetais e frutas. Estes são responsáveis por uma parte daquilo que julgamos serem mutações espontâneas.
Os agentesmutagénicos dividem-se em três grupos: físicos, químicos e biológicos.
Físicos: raios X, raios gama e até raios ultra-violeta são capazes de destruir as ligações químicas entre os nucleotídeos . Os danos destes agentes são grandemente agravados se estiverem em contacto com água ou oxigénio.
 
Químicos: substâncias cancerígenas, que danificam ligações químicas, ou substituem nucleotídeos normais por outras moléculas. 
 
Biológicos: vírus e bactérias, que injectam parte do seu DNA na célula hospedeira, integrando-se nessa mesma cadeia de DNA provocando mutações.
 
 
Mutações provocam evolução?
As mutações podem também conduzir à formação de proteínas com novas capacidades que poderão ser extremamente úteis. Por exemplo, é por causa das mutações que existe uma tão grande diversidade de genes no mundo vivo, a qual permite a evolução das espécies.